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Larissa Linhares, 18 anos. Antiga "pseudo-poetisa"
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Anonymous: Cê namora?

Isso muda em que em sua vida?

Anonymous: Porque parou de escrever Larissa ?

http://codinom-e.blogspot.com.br

Bão…

Ando percebendo que estou levando muitos unfollows e seria mentira se dissesse que estou feliz com isso, mas enfim, não sou obrigada a ficar postando direto aqui para segurar os followers e muito menos puxar saco de alguém… Se alguém aí por acaso sentir falta das coisas que escrevo, eu vou deixar aqui meu blogger e é só isso mesmo. Blogger: http://codinom-e.blogspot.com/

"A esperança mata o coração dos trouxas."
Larissa Linhares.
"E quando você voltar, tranque o portão, feche as janelas, apague a luz e saiba que eu te amo!"
Renato Russo.
"E é tanto amor que a saudade esconde-se de mim. Não tenho tempo para depois, eu só quero o agora. Você vai e vem como se fosse algo correto a se fazer, mas não é, meu bem. Eu o amo e isto é sufocante demais para mim. Necessito, preciso, busco todo o amor que guarda dentro de ti e eu o puxo, sugo com força até sobrar mais nada. Fugiu do controle, saiu do ritmo e a dança desandou como a primeira vez. Foi o olhar que fez-me ter esse desejo descontrolado, fora de mim e eu confesso… Estou louca e acabei de rasgar as cartas antigas do João por tua conta. Ô meu bem, isto não pode ser uma brincadeira, eu sinto, preciso, quero. Dói, machuca e no fim satisfaz. É muito amor para tão pouco. Volte antes que eu termine de quebrar seu, meu, nosso apartamento."
Larissa Linhares.

Era 13/01/1990 e eu tinha acabado de completar meus 17 anos, a discussão em casa era enorme, papai querendo ir para Brasília e mamãe pro Rio de Janeiro, mas no final eles foram para Brasília e pela primeira vez pude ir visitar o Rio com minhas amigas, íamos passar o verão em uma cidade pequena, de frente para uma lagoa e de esquina para rua principal. Eu e a Ana fomos direto à casa da Bia e de lá o tio dela nos levou, a viagem foi bem rápida, dormir praticamente seis horas e pude ficar acordada o resto das duas horas que faltavam, ao chegar tive uma grande surpresa, íamos ficar só nós três, dentro daquela pequena casa que se transformou em enorme por questões de segundos, confesso que o tão falado frio na barriga apareceu no mesmo instante quando soube da notícia, nunca tinha ficado longe de papai ou de mamãe e precisava de uma segurança a mais, mas nada foi feito, ninguém queria passar o verão naquela cidade.

A noite estava dando o ar de sua graça e pela janela pude ver as estrelas dançando ao lado da lua, o vento vinha vezes forte e vezes devagar e eu estava mais do que ansiosa para descobrir como era a noite daquela cidade, o som baixo já era escutado e as meninas estavam gritando-me feito loucas e por fim dei a última inclinada sobre a janela e ele sorriu para mim. Estava sentado na calçada da frente, com os braços cruzados e o sorriso largo, seus amigos a essa altura deviam estar assobiando para as meninas que iam e vinham na calçada e antes mesmo que eu sorrisse fui puxada pelo braço, era a Ana. Descemos as três e pude vê-lo um pouco mais de perto, mas ainda não deu tempo dos lábios se abrirem, na cruzada olhei para trás, ele vinha sozinho e não aguentei, gargalhei para dentro que aos poucos foram saindo de meus lábios.

Os balões voavam cada vez mais altos e se entrelaçavam com as estrelas, os palhaços ofereciam alegrias às pequenas crianças que ocupavam aquela enorme avenida e aos poucos sentir os braços das meninas se soltando dos meus e com a voz baixa pediram para eu espera-las ali enquanto iam comprar bebidas. Dois ou até mesmo três passos, foram suficientes para chegar perto do meio fio. O vestido levantava vezes alto e vezes baixo, aquele vento estava aprontando comigo. Olhei para lá e para cá e nada do meu menino aparecer e o sorriso torto não saia de meus lábios, estava cansada desse joguinho maldoso dele e era sempre a mesma coisa, as estações mudavam e o nosso amor também.

Mas agora já estamos em 1995, completamos exatamente quatro anos de namoro e era a terceira vez que acabávamos e por pouco não matamos um ao outro dentro do pequeno apartamento que um dia foi grande. Seu Antônio, o porteiro, o expulsou do meu quarto e passei uma semana sem olhar os olhos do meu menino. Sentia o cheiro dele pelas paredes e fui seguindo-a até o cheiro sumir, deparei-me debruçada sobre a cama chorando como uma criança. Rasguei os lençóis como na última vez, quebrei o vaso mais florido que tinha e por fim o xinguei bem alto, para fora da janela deixando tudo de ruim sair de dentro de mim. Os olhos foram fechando aos poucos e por pouco não permaneci em 1995, mas não pude controlar e já estávamos na primeira noite de 1990.

O beijo dele era doce e envolvente, mas o medo consumia-me por inteira. Seu abraço passava-me segurança, mas a escuridão do beco não. Ele olhou em meus olhos e sussurrou o seu nome baixinho e faltou pouco para dizer-me algo mais ousado. Minhas mãos suavam de nervoso e eu nem ao menos lhe disse meu nome, estava com receio da gagueira aparecer. Ficamos rindo e trocando carinhos por horas até ele levar-me de volta ao apartamento, foi à primeira noite do fim. Subi e quase cai sobre a janela, ele estava lá embaixo mandando inúmeros beijos e se foi para o outro dia. Mas agora já estávamos no terceiro dia do verão de 1991.

O dia estava amanhecendo junto com o canto dos pássaros, mas a campainha insistia em estragar isto e as meninas estavam dormindo como pedras. Então fui atender, era seu Antônio com uma cesta enorme e rosas na mão, eram para mim. Sorri e o agradeci, ainda um pouco tonta deixei tudo sobre a mesa e passei meus pequenos dedos sobre meus olhos. Inclinei-me sobre a janela e ele estava lá, sorrindo feito um bobo e perguntando se eu aceitaria, não entendi no primeiro momento e fiz um pequeno gesto com a mão o pedindo para esperar um pouco, voltei até a mesa e peguei o bilhete entre as rosas, era um pedido de namoro. Corri e dessa vez por pouco não cair. Sorri, mas sorri demais, sorri quase morrendo, sorri dizendo sim e ele apenas gritou, falando o quanto meu cabelo era bonito bagunçado. Sorri mais uma vez e depois de longos minutos fui encontra-lo sobre as pedras, ficamos ali a tarde inteira, vendo as ondas do mar bater sobre nossos pés, sentindo o friozinho do vento e namorando um bocadinho. Fomos embora assim que o arco-íris apareceu, mas isso agora foi em 1992.

Seu Antônio estava desesperado com tanto xingamento em frente ao prédio que tomará conta até a velhice. Tapas eram escutados vindos de mim, eu o deixei completamente marcado e dessa vez não foi de tesão. Era nossa primeira briga e quase foi o fim se não fosse pelo beijo roubado no final do último dedo dado. Agarrou-me com força e me levou para o nosso quarto onde nos amamos por horas. Foi selvagem, intenso, mas teve doçura e leveza. O sol ainda nem tinha se despedido e mais uma vez Seu Antônio estava batendo na porta, implorando para que eu gemesse um pouco mais baixo, os vizinhos estavam reclamando já e foi rápido, pois agora estamos no último dia do verão de 1994.

Ele chorava feio um grande babaca, eu odiava drama, mas nosso namoro não estava tão bom quanto em 1993. Parecia que sabíamos que era a metade do fim. Desde sempre soube que fomos feito para acabar, mas não imaginaria que seria tão rápido. A viagem foi cansativa e as lágrimas não pararam de descer nem um por um segundo, meu coração acelerava e desacelerava e por alguns momentos vomitava borboletas velhas. E as estações incomuns estavam chegando, nunca tinha reparado nelas já que para mim só existia o verão, até chegar em 1995.

A semana passou devagar, mas ele apareceu e eu pude tocar e sentir o rosto do meu menino, assim como os lábios e o corpo. Ele beijou-me como se fosse a última vez. -Era a última vez- Nos amamos como a primeira vez do fim e depois como a última vez e no final da madrugada rabiscamos todas as paredes do velho apartamento, deixamos nossas marcas com beijos vermelhos e perfume. Era possível enxergar mais nenhuma cor, só os nossos nomes e sobrenomes. Era poesia, era amor, era vida, era morte e ele se foi, deixando-me perdidamente apaixonada pelo meu primeiro e único amor.

Larissa Linhares.

"Era verão e mal sabíamos que o seu sorriso amarelado me faria ficar mais derretida que um picolé de açaí. Ele vinha tão sexy em minha direção, seu cabelo até que balançava, mas outrora, por tão pouco seu rostinho desejável não foi parar junto das conchas. Passava pelo lado, por trás e até mesmo pela frente, com aqueles lábios entre abertos deixando seus dentes um tanto cafajestes aparecer. Que vontade, mas que vontade de provar seu cheiro, seu olhar, sua boca e até mesmo cada fio de cabelo que encontrava-se nele. E lá se foi mais uma vez ele, correu para dizer que me ama, dizer que me queria, dizer que meus dentes brancos dariam um brilho para os deles, mas como era um bobo e já estava balançando a cabeça feito um cachorro enquanto dava tchau e fazia um coração torto, que representava mais do que nunca o que sentíamos um por outro. Era apenas a terceira vez do encontro proibido, mas aquele friozinho só aumentava dentro de mim. Ele veio, mas dessa vez foi encarando-me, seus pés deixavam tamanhas marcas que eram indiscutíveis. Levantei-me e antes mesmo que ousasse em se aproximar fui-me embora deixando para trás o pano bordado que levava uma mistura do arco-íris, mal pude subir as escadas para sentir seus dedos e seus lábios, chegou por trás de um modo manso, mas tão forte e seus dedos foram mais do que rápidos, em questão de longos segundos já tinham passeado pelo meu corpo inteiro e mal pude abrir a porta e já sentir ela se fechando mais forte que o vento que batia contra minhas janelas. Pude olhar em seus olhos e sentir tudo o que eles queriam dizer-me enquanto as respirações já tinham virado algo completamente diferente e foi ficando cada vez mais fora do controle até o beijo acontecer. Parecia que tudo tinha sido feito um para o outro, encaixava-se perfeitamente, desde as pernas até os lábios. Foi intenso, fogoso, era desejo que não dava para esconder. A cama parecia ser tão distante naquele momento que o chão frio foi nosso melhor amigo e no final fomos nós que esquentamos tanta frieza. Os seus beijos molhados eram os melhores assim como seus toques e tudo que iria vir fazer comigo. Os pássaros por vez saiam assustados de dentro do apartamento e até seus cantos foram abafados pelos meus gemidos. A madrugada mais ensolarada estava aparecendo aos poucos, assim como sua barba mal feita ia parando aos poucos de arranhar-me e a risada entre os beliscões era a prova que o verão tinha valido a pena e com mais um beijo -O melhor por sinal.- Ele levantou e se foi, apenas deixando um pequeno bilhete colado na parede e uma curiosidade enorme de saber qual era o gosto de sua voz."
Larissa Linhares.
"Não podíamos ser mais -não por você.- Não podíamos ser metade -não por mim.- Não podíamos ser sempre -não por nós.- Mas podíamos ser dois em um, podíamos. Se não quisesse, podíamos ser entrelaçados, mas se fosse demais até que podíamos ser um pouco separados. Só que não fomos nada disso, fomos o que imaginarmos ser e imaginamos pouco, muito pouco para o que podíamos ser. Fomos mesquinhos, fomos infantis, fomos estúpidos, fomos tudo menos um só."
Larissa Linhares.
"E por mais distante que esteja eu ainda sorrio ao lembrar-me da sua imagem. Eu ainda fico sapeca ao lembrar-me das bobagens que me falava e ainda ouço sua voz, bem fraquinha, mas ouço. São lembranças boas que se tornam em ruins. Sorrisos que se tornam em lágrimas. Vontade que se torna indiferente, mas nada que não faça-me pensar em você, nada que pare o sonho que ainda crio dentro de mim, nada que me puxe para fora de tanta ilusão… Nada que não me faça dizer que ainda amo você."
Larissa Linhares.
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